domingo, 26 de abril de 2020

O riso que é texto

As vertentes cósmicas são pedaços do infinito, que estão espalhadas à espera de quem as encontre. Eis a beleza translúcida que encontras quando olhas com cuidado pras faces do riso que tens e dos que espelha. Repara, o riso é a janela da alma. Não os olhos, o riso. E em toda a estrada em que o riso se cruza, emergem escritas de inspirações milenáres. O bônus dado pela percepção, está em nós como o sopro matutino de quem acorda. Mas não tão simples, está sob a guarda de um véu alado, cuja chave está na dose exata de sensibilidade, cultivada em terra que é fertilizada sob a luz do sol. Ver o riso é generosidade do cosmo, que adorna o ser mutável, este que exala leveza de um ângulo belo e único.
Aquele que explica o que escreve, metafísico por natureza, não o faz por vaidade, mas por cuidado. E se todo o zelo é matéria de amor, liga o teu coração na voltagem máxima que tens em ti e vai. Lembra-te, quem sossega, encontra, e quem encontra, sossega.
Todo o riso é uma vertente. Cada riso, porém, é também um potencial remetente daquilo de que está cheio. Remeteras a genuína essência da cor púrpura: transmutação. Tens em ti matéria de sonho e de lucidez, ressoas na delicadeza e na força. Energias que se complementam, toda a força que não se compraz na delicadeza, não é duradoura. A recíproca contrária aqui, não é coincidência mera. Porque é de equilíbrio que se alimenta a claridade da existência.
E assim, quando puxa um riso o outro, ao outro, do outro, com o outro, a sintonia risonha canta o alvorecer que chega manso e afeito a tudo o que trouxer e levar da vertente à fonte da vida.

Poema em chamas

Cigarro, acende,
Estrondo
Estranho, ascende, cintila
Exala
Explode.

No meio das luzes, o Sol.
Set dele.
Setenta e quatro, em tempos de frio.
Havia luzes coloridas por toda parte
Lá, aqui e de novo outra vez
o teu brilho se funde na camisola de cetim transparente e aquecida

És feito de canções 
De efeitos sincrônicos e de sensações
Avessas,
Sensações.

Cigarro, acende
Exala, surpreende
Cigarro,
que és quente
Aquece, difunde
Confunde e sorri.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Poema ensolarado de abril

Tum, Tum!
No 604 te acompanho
Chuvosa.
Te ganho, no 604
 o dia vai raiar
Duas batidas do despertador
No 604, o que não tem volta
Volta.

Quantas voltas darás até chegar de novo,
no 604
Da cruzada de número quinze,
nascem os dois sois que apontam no horizonte ímpar 
Do ano par
No 604, cintilante e tolo
Me espera, supera e sorri.

No 604 da cruzada do quinze
Não há desencontros,
nem acasos.

No apartamento de número 604
A metade de vinte dobra em vinte, pelo vinte do vinte de dois vintes de somas sintonizadas.

Na varanda do 604
O homem nublado, que é Sol,
e que ilumina os quatro cantos
Além daquele 604 e de todos os aléns que pode pensar que é.