quinta-feira, 6 de junho de 2024

Nas águas de Copa e de muitos

 Um mar de muitos, de tantos e de todas de si que cabem na tua atual versão. O mar de Copa  é um mar do velho e do novo, um mar que atravessa as dimensões e sintoniza o tempo na distância que há entre uma memória e outra. Outros tantos de nós que estamos e que vivemos assim como gostaríamos de ser.

No mar de Copa, o que é avesso atravessa o espelho da tua casa e te devolve ilesa às tempestades de setembro que chegam inconstantes e rasteiras. O mar de Copa te dissolve em sabedoria e champanhe. Afaga a tua mão aquecida de primavera e te despe num vestido laranja, colorido com o pôr do sol ao nascer do dia de outono.

A água que dissolve o gelo, congela o inutilizável e depois transmuta e faz descer a solidão a pé ladeira acima. E assim todas as formas de ver a janela da tua sala, são translúcidas, mas apesar de nem sempre cristalina, a água purifica e cura as eternidades de espera e silêncio.

A palavra tem um tempo, nós temos outro. Enrolamos o laço que só nós sabemos apertar. Ecoamos quem somos, quem és e de quem tens vindo. E assim, disfarce os laços que soltam antes do tempo chegar. Convidado de honra, ele vem a galope quando sua ausência é brindada com alegria.

terça-feira, 21 de maio de 2024

Silêncios que escutam

 Existe um silêncio que as pessoas carregam nos olhos. Um silêncio escandaloso, oblíquo e audaz. Este silêncio é tão surdo quanto aquele que o escuta.

Ouvidos e boca aberta pro mundo, é tudo o que é preciso pra que tenhamos o todo de nós escondido embaixo de nossos cabelos molhados de chuva ou de suor. Eu não sei escutar perfis ideais, só os que parecem confusos e secos. Encharcados de sonhos já idos que ficaram dentro de uma gaveta de meias, esperando o despertador tocar e o silêncio rugir.

Sempre que os silêncios são lindos, não podem ser ouvidos. Mas silêncios distantes estão perto, com frequência, daqueles que fingem que são e sabem que estão, em dimensões além de suas cabeças barulhentas. O silêncio dos olhos deságua em terra firme e traz leitores de mãos e de textos sobre descaminhos ou sorte.

Não és ouvinte, és surdo. Sempre que insistes em deixar esvair nas tuas mãos tudo aquilo que pretendes descascar como nozes. Nós somos o outro do outro e vemos os silêncios de olhos perdidos no avesso de sentidos desligados no disjuntor.