A mulher que escreve, escreve porque é muitas. Escreve porque é uma e porque não cabe em si, ainda que anseie. Escreve pra outras e pra outros, sobretudo, escreve pra si. E isso bastaria, não fôssemos nós demasiado humanas. Filhas de Saturno, de Iemanjá, de Gaia. Amantes, amadas. Tendenciosas naturalmente a duvidar de tudo o que é bom ou raro. Incansáveis de teimar, teimosas por tentar. Sempre sóbrias, sábias, fortes e líderes.
Porém, sossega. Nada teme, nunca descansa, até que tenhas posto de ti pra fora tudo aquilo que sabes precisa desfolhar. Nada teme, nunca descansa, até que entendas que és guria gentil, calma e te é permitido também sonhar.
Se sente, fala. Se cala, ouve o silêncio. Sê, pois, liberta de ti. Das tuas obrigações, da tua mesmice. Descansa de ser quem sempre busca, espera em sossego pra seres buscada. Faz disso, mais um tema de escrita. Porque bem sabes, nenhuma é vã. Se refletes, é porque precisas.
Então vai, recolhe as tuas asas. Acomoda os teus pés na areia e permite ser pela onda lavada. De novo, aprende em noite enluarada: deixa de ser quem busca, aprende a seres buscada. Segue o teu caminho sem direção certa, mas sempre inundada na certeza do que não queres pra ti e assim, não te perdes no traiçoeiro da tua mente.
Continuas a ser leve, e assim, leve serás pela tua essência fluida e tranquilamente, levada. 🦋 15