domingo, 31 de julho de 2016

O Libertário



O  Libertário 


Eu sempre me senti refém, daquele que é senhor de tudo,
O tempo.
Temia-o, andava em passos acelerados, solitária, acorrentada às minhas próprias defesas.
Mas o acaso me fora generoso, pusera-me uma ilha à vista,
No desespero da deriva.
Logo pude descobrir que a ilha não era habitada, ela era um próprio homem.

Ancorei em terras daquele que se atem a tudo que o convém, mas a nada teme.
Convidei-o para navegar, conhecer o meu porto
cujo nome remete ao mais antigo dos laços,
o amor.

Mas aquele de alma liberta relutara em ancorar
Pudera,
Já fora o mais feliz dos homens e também o mais triste,
Mas pude mostrar-lhe que as desventuras da vida são partes do caminho
que pode-se reconstituir.

Foste o único a esquivar-te da temerosa dose de veneno
Provando que não era mais um dos homens,
reles mortais que se punham à mercê da traiçoeira e inebriante beleza capitolina.

Muito além disso, fizera-me beber do veneno
livrando-me da milenária maldição,
aquela, das faces da vaidade.

Conseguiras ser fiel ao teu caminho, ainda que isso custasse mais que o peso do ouro
Em teu ainda humano coração.
Homem de inteligência astuta e beleza subliminar, encoraja-te com medo
E eis que então exala de ti, senão perfume da mais pura essência.

Aliara-te ao tempo e por isso és imensidão
Admiro-te, cavalheiro de asas prateadas
Que de cavaleiro nada tem, exceto a habilidade em fazer-me cavalgar às margens de tantos Rio’s,
A espera do sol poente
que traz-me a presença tua chegando acompanhado pela noite.

O Homem das asas no peito



O teu cheiro é da decadência,
Homem
Daquela de enlace no íntimo.

É deste cheiro que imerge a podridão
É como o peso do ouro que pesa no bolso e na alma.
Nada mais te salva,
Nem mesmo a tua desesperadora tentativa de contaminar-me

O teu cheiro conduz embriagado qualquer ser à escravidão.
Não foste nobre, tão pouco és agora.
Por que põe-te ao vanglório da liberdade,
Se não chegaste ainda perto do caminho da imensidão?

É de mesquinho o teu feitio
Pequeno, pela sobriedade que a tua escuridão te nega
Em todos os sentidos que se pode aplicar a embriaguez do corpo e da alma.

Não ouse pensar, sequer no último feixe de luz que te restar
Que por um instante pudera eu tê-lo amado,
Sou herdeira daquilo que está além da tua vã compreensão:
Dignidade

Sossega a tua alma, acalma teu peito embaixo da árvore
Mas abandona-me por completo
De ti não ei de querer sequer a certeza de que sempre estarás distante
Para que não haja tempo da minha vaidade humana
Almejar o devaneio teu.

Metafísica da certeza



Sabe, não sei bem ao certo quando estou sentada
 Sinto o flutuar das pernas com o pensamento de outrora.

 Não sei se a leveza do tecido torna-me frágil,
 Ou se a superfície quente e submersa em energias,
 Fazia inconstante e indeciso o pensar de uma Senhora.
 Que sempre fora como o gelo na água.
 No tempo de sereias diabólicas e homens temperamentais.

Rodam chaves secretas de outrora, que ainda fazem do homem, perdido.
Enquanto isso, lá fora,
O meu encontro já virou cotidiano.

Esbaldando da herança, criando caminhos para outrem
Ainda só, não procuro companhia fiel.
Quero que os encontros sejam casuais
Cruciais, por certo.
Encontrar-nos a nós é sempre a faísca do incêndio

O abandono de desejos superficiais, na lábia quente de todos os mortais
Eis que aqui jaz um morto!

Ainda que ninguém abandone por completo
As podridões do terreno frio.
Os vícios da vaidade e da carência
Eis que aqui jaz agora, um mortal que não se perde
Que se encontra e que te resgata da escuridão.

Porque daquelas sereias já alimentou luxúrias
Em tempos já idos
E em memórias bem postas.

Eis que em extrema confusão decidida,
Na carta de despedida dessa existência ele assina:
Inacabado!






                                                                                                       A Senhora