O Libertário
Eu
sempre me senti refém, daquele que é senhor de tudo,
O
tempo.
Temia-o,
andava em passos acelerados, solitária, acorrentada às minhas próprias defesas.
Mas
o acaso me fora generoso, pusera-me uma ilha à vista,
No
desespero da deriva.
Logo
pude descobrir que a ilha não era habitada, ela era um próprio homem.
Ancorei
em terras daquele que se atem a tudo que o convém, mas a nada teme.
Convidei-o
para navegar, conhecer o meu porto
cujo
nome remete ao mais antigo dos laços,
o
amor.
Mas
aquele de alma liberta relutara em ancorar
Pudera,
Já
fora o mais feliz dos homens e também o mais triste,
Mas
pude mostrar-lhe que as desventuras da vida são partes do caminho
que
pode-se reconstituir.
Foste
o único a esquivar-te da temerosa dose de veneno
Provando
que não era mais um dos homens,
reles
mortais que se punham à mercê da traiçoeira e inebriante beleza capitolina.
Muito
além disso, fizera-me beber do veneno
livrando-me
da milenária maldição,
aquela,
das faces da vaidade.
Conseguiras
ser fiel ao teu caminho, ainda que isso custasse mais que o peso do ouro
Em
teu ainda humano coração.
Homem
de inteligência astuta e beleza subliminar, encoraja-te com medo
E
eis que então exala de ti, senão perfume da mais pura essência.
Aliara-te
ao tempo e por isso és imensidão
Admiro-te,
cavalheiro de asas prateadas
Que
de cavaleiro nada tem, exceto a habilidade em fazer-me cavalgar às margens de
tantos Rio’s,
A
espera do sol poente
que
traz-me a presença tua chegando acompanhado pela noite.