A intuição pessoana e a nova era de palavra calada são o portal para o mundo dos alheios. Não sei ler espelho, antes sabia, agora só sinto que sei. Sei caminhar descalça, falar do extremo sul e dos idos que ainda não foram, mas não sei abrir a porta em que o timão está para escolher o destino.
Navego, levito e volto nevoada. Ando ligeiro, penso em sossego, apesar de sem pretensão. Tenho o riso da espreita na soleira e aquele mapa da contramão. Deságuo em harmonias avessas, sempre que ouço aquela dissonora canção que fala de sorte e de azul. Agora é nostalgia, antes era palpitação. Caminhas sobre as águas sempre que buscas não estar, mas saibas que onde esteves, chegaste por ti e lá não cabe mais nenhuma solidão. Não quero os teus pergaminhos, nem busco labirintos atemporais de histórias narradas.
Se sabes é porque sabes que sabes, disse o Pessoa e o coração. Eu comigo me atenho, tu contigo carranca. Nós, unidos é riso. Os filhos da solidão não são de apelos, nem de correio, sabes. Os filhos da solidão escurecem e clareiam, querem o começo e o fim e se for preciso dispensam os meios, são de sensação e nunca de apego. Se acaso vieres, vem. Se acaso cantares, canta. Se acaso sorrir, sorria. Se acaso quiseres, queira. Mas se nenhum dos acaso lhe aprouver, descansa e regenera. Olha os teus vestígios, abraça sem sentido, diz que é luz mais uma vez e brilha.
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