Não há tempo para pensar, Santiago também será Antônio. Quando pensei que não o veria mais, trouxe o García Márquez pra falar da solidão na América Latina. Construí um novo caminho e o ressussitei como Antônio.
No entanto, repara, não parece um bom nome se não se falar em voz alta. Antônio Santiago é melhor do que Santiago Antônio, disso estou certa apenas pela estética, não por hierarquia. Antônio que escreveu o canto alegretense, o Conselheiro da literatura ou Antônio que vem de Antônia. Santiago é Santiago. É shakespeareano, é sobrenome de Bentinho, é referência de santo. Capital do Chile, terra de Neruda, terra de outros.
Santiago virá das árvores desenraizadas, Antônio também. "Antônio Pigafetta, um navegante florentino que acompanhou Magalhães na primeira viagem ao redor do mundo, ao passar pela nossa América meridional escreveu uma crônica rigorosa, que, no entanto, parece uma aventura da imaginação." Está no García Márquez, uma escritura santa. A bíblia de cada um é diferente, disso Antônio Santiago saberá.
Não tenho dúvida de que ele saberá. Mas se vai ler García, Borges, Oliveira, disso só ele saberá. Antônio Santiago pode até não ser afeito ao mundo do futebol, mas há de perdoar essa que agora fala de si, que há de lhe vestir no manto Colorado tão logo venha conhecer o mundo. Aquele que será responsável por metade da sua genética, pode até me contrariar, mas (pretenciosa, antes otimista) bem embasados e na companhia de taças cheias de Merlot e Malbec, vamos chegar a um (ao meu) acordo pacífico neste caso.
Antônio Santiago será mais uma raiz da América Latina, mais um desenraizado. Mais um atravessado, semeado na terra fértil dos que acreditam que "não tá morto quem peleia".
Se quando vier, bater os olhos nesta escrita, saberá que não "tem" nada, mas que pode tudo. Pode, inclusive, tecer a sua vida numa crônica rígida, que possa no entanto, parecer uma aventura da imaginação, parafraseando o Gabo e fixando a minha crença de que "todas as histórias são reais, apenas os seres é que são imaginários."
Além disso, Antônio Santiago saberá da inspiração dessa escrita, do texto escrevível ou "modelo" como chama Silviano, que não por acaso, também é Santiago.
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