O amor mora em Copa. Encontrei-o numa esquina, numa encruzilhada e num precipício conduzindo à contramão. Numa noite em que estava faceiro, quis-me convidar pra sua imensidão. Quando aparece, chega ligeiro e disforme. Dizem-no estranho, porque foge do padrão. Nele falta pedaços, mas sempre sobra coração. É feito de matéria desenraizada, sabe desfolhar no outono e florescer no verão.
O amor mora em Copa, cabe na folha da árvore e no encontro genuíno com a própria solidão.
O amor que mora em Copa é redentor e simpático. Hoje conduz o próprio caminho, faz nascer o sol ao final do dia e desperta o poente em plena madrugada. Ele é um amor assistemático, não é levado no choro nem busca resolução. O amor que mora em Copa existe na contraluz, na capa de chuva e na janela que se abre ao som de blues. O amor que mora em Copa é filho de Oxum, cuida dos seus espelhos e guarda consigo as chaves das sensações. O amor que mora em Copa não é vaidoso, não se alimenta de flechas lançadas, nem de lamparinas ligadas no disjuntor. O amor de Copa é o reflexo que aparece mesmo em água barrenta. Ele habita rios e mares, casas vazias e madrugadas salutares.
É o amor de Copa um inconstante, incessante, permanente e de união.
O amor de Copa alcança as palmeiras nas sacadas, desloca a impaciência e acomoda a sua magestade.
Nunca quis reencontrar o amor de Copa, agora nunca quero deixar de sê-lo. O amor de Copa é espelho. Translúcido, sabe que não é passageiro. O amor de Copa é de pontes, de túneis e de avenidas.
É o amor de Copa um amor do mundo, do Sul e do Norte.
O amor de Copa não é aquele que espanta, porque o amor de Copa se compraz na própria essência de ser forte.
Nenhum comentário:
Postar um comentário