terça-feira, 9 de março de 2021

O retorno da mulher do espelho

 A tua mulher de ti é muitas. Nisso, se vês a cara não vês o coração. Coração aquele, que cabe todos além do teu. Se escolhes pelo tipo, da mulher, da cara e do coração, não acolhes a dimensão do misterioso ser de formas incógnitas.

Cada uma das tuas mulheres são tuas, nem dele e nem dela, mas tua. Se aprendes a ver o diabo e o anjo com o teu olhar, não com o do outro, recuperas o dom de ler espelhos. Se reencontra a mulher de Saturno e a mulher de Vênus na mesma bruxa que te liberta, retoma as tuas rédeas e entendes tudo o que habita em ti.

Não é de mulheres que se fala, mas é em mulheres que vagueia. Todos vagamos. Vagamos a fim de ressuscitar nas águas profundas desses seres místicos, com os quais aprendemos a ser exotéricos, flutuantes e inteiros. A magia feminina só é poderosa se garante a tua clarificação, doutro jeito, é coragem pouca e anestesia muita numa mesma cara de mocinha. De mocinha entende a vilã. Vilã de todos, menos de ti. Sabes que a coisa mais doce que já viste mora aqui, mora ali e está sempre dentro da mulher que viste na cara da cara que a vida desenhou pra disfarçar a nostalgia de quem ainda segue contigo. As tuas mulheres são muitas, mas a tua de ti é feita apenas de pedaços inteiros.

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