Um velho, um mar de Copacabana
Jogado à toda sorte de sonhos infindos, um velho e um mar de Copacabana cruzavam olhares atentos um sobre o outro.
O velho, o anzol, um mar e uma moça. A décima do noite do inverno de julho e dez mil solidões na plateia.
Era um encontro de uma terra e um mar. Um mar de muitos, uma terra de poucos.
Contrariando aos pensamentos vivos de alegria, o reencontro não há. Mas o velho que é um, pensou vestiu-se de branco para ser o outro. Nem transparente, nem translúcido, nem na mesma pele seria. Porque o velho do um não é o novo de novo.
Perderam-se um do outro, um velho e um mar, que não são o velho e o mar. Mas reagiu o destino, costurou a fenda e encaminhou o anzol que voltou sem peixe nem nada.
Sempre que surgem contos sobre as janelas da alma, um novo caminho é despido. Apesar disso, o recomeço certo independe da vontade humana de emaranhar destinos.
Somos a moça, o mar e o velho de Copacabana. O artigo definido entre as indefinições, articula as teias do céu de vênus. Foi assim, que o inverno gelado e atípico tornou-se o mais perfeito mais um dia de uns tantos que ainda virão.
No íntimo de cada um, uma esperança latente de que solidifique em barro firme. Mas quando estão juntos, temem. Não temem o destino, temem permitir-se a ele. De grão em grão é que são construídos os infindos. Separados, sabem eles, são silêncios que rugem, que se chamam e que se desafiam.
Passam as horas e seguem os dias. Um velho olha e sabe que é olhado, enfeita a pescaria. Pesares. Um mar ressaca, e sabe porque está ressacado. Sons agudos de alegria. Mais impulso, diz o silêncio. Ao fundo, cantam as ondas dissonoras, dúbias, equivalentes e unilaterais. Apresentam convictas o anunciar de menos um dia, fazendo tremer até a escuridão.
Tantos passos na areia, mas só dois pés esperando o mar, mais uma vida de encontros desencantados. A noite tem cara de sopro. Mas carrega em si, apesar do descompasso, faíscas que ainda esperam soltas para iluminar uma nova alvorada no fim do dia.
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