quinta-feira, 8 de junho de 2023

A parte do todo

 A tua grata presença mística constrói o caminho do encontro. Encanto de sereia é canto de pirata, mas eu te conto baixinho sobre as profundezas do rio que é Rio apenas no nome, pois sua natureza é de lago.

Quem sabe um desencontro, quem sabe onde andas e por onde andaste até aqui e agora. Nem em mil voltas ao sol de capricórnio, poderia supor a tua presença transcendental no meu cotidiano acelerado, para pensar em nomes da terra que só pisaste em pensamento. Penso nos dias de sorte, falo de espelhos, de olhar reflexos e de memórias. Ando, cancioneira e atenta, cogitando sobre a dimensão que estás. Onde estive, não andaste. Procuro, olho nos cantos do ônibus, olho ao atravessar as ruas do centro, olho no meu olho sorrindo e não encontro onde andou tu e a tua grata presença.

Existe uma canção que canta tranquilo como és, de um som indescritível, mas que me confessa em silêncio gritante o segredo do teu caminho. Um retorno, duas voltas, alguns minutos a mais e tropeçam juntos os trapaceiros de Cronos. Herdeiros de linhas universais, caras desenhadas em estações diferentes, não são de fases da lua que aqui se fala, mas de tempos diferentes que refletem no mesmo espelho.

Volto, leio, releio e ressignifico o ponto de partida de risos já idos. Voltar é estar aqui e agora, voltar é deslocar-se acompanhado da sombra e do afago. Mas quem não sabe cantar, dança. Quem não sabe falar que leia, e quem não sabe pedir que ofereça.

Não sei se a tua mão segura regras de tabuleiro, mas vou comigo e deixo contigo o que trouxeste outrora em sensação. Em tudo isso, até pensei na estação de rádio para o antigo novo tempo que nos aguarda. Na previsão do tempo, o sol de inverno. 

Por aqui a lua de morango segue também comigo. Segue contigo e navegamos. Continua, continuemos. Em desafios de linhas entrelaçadas e feição de nós, contigo não há descaminho, contigo há a criação. Desdenho os desígnios das fiandeiras, não vejo fim nem começo. Vejo cenas de uma nova janela que escuta Caetano e que impulsiona melodias que vibram em si, sem nomes próprios derivados de alguma página solta, mas com narrativas compostas de alfabetos inteiros e ainda pela metade.


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