A fronteira da memória é o acaso. O outono adormece e a tua presença renasce envolta em fumaça de incenso e histórias paralelas.
Mais um texto místico e desestruturado, com destino certo mas sem tempo marcado. Não peço ao destino que descanse, ou que descasque até chegar na flor e te ofereça o perfume teu que vem e vai, emerge, retorna, vem e vai e vai e para.
Levemo-nos de mãos dadas na água corrente que é doce e que é salgada. Ou então, levemo-nos soltos ao nó do cadarço que prende o sapato que conduz os passos. Descalços, no presente, no passado e no futuro, sempre na contramão do que parece ser, somos agora menos dispersos apesar de acelerados. Sempre alheia a tudo o que lhe parece certo. Incansável, leitora de olhos e de sonhos.
Leio as linhas finas que contornam o teu rosto quando despertas de uma nova noite, porque és feito de barro e isso já basta para que estejas no adorno da minha cabeceira.
Desmonto a estrutura já posta, porque os opostos se distraem e disso bem sei, disso antes já sabes. Sei eu e sabe a canção. De novo ela, de novo ele e de novo o novo que nasce atento aos flertes entre o aqui e o agora.
Entre os fios que tecem a noite, uma lua descompassada aparece por aqui. Nebuloso clima de quase inverno, transforma a flor de verão em cisco de madeira, tão frágil que destila em água doce e deságua aos olhos e aos destinos.
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