domingo, 31 de julho de 2016

Poesia de constatação



Suplício, precipício!
És quem sempre corre ladeira acima
Encontraste em mim o vento que te levava adiante naquele projeto
O da tua alma
Um desejo oculto que suplicava-me que tirasse de ti a escuridão de onde viéras
E agora?
Quem sou eu, agora?
Sinto que esse breu te consome, mas já não sou forte pra te resgatar

Não pude ser tudo que quis, tu também não pode
De alguma forma, acabamos nos atraindo pelas limitações
Te quebrei algumas barreiras
Tu libertara-me de muitas

Exceto uma, aquela da qual sempre me fora o precipício
Eis que assim defino a temerosa culpa de alguns desvios
Vaidade!

Mas não ei de poupar-te que saibas da culpa tua nesse rebuliço de ideias
Não conseguiste conter o teu egoísmo e esta foi a tua ruína.

Perdoa-me se leste estas palavras como imensurável batalha de culpas
Sou ainda aquela que tudo pesa e considera
Guarda e depois de muito reservar, dispõe.
Disponho-te aquele que sempre te alertei pelo perigo do poder que retém,
Tempo!

À espera de um tempo utópico
Liberta agora o que em ti está preso
Solta o choro de criança
Prende apenas as palavras, segura e organiza no teu pensamento
Depois jogá-las-á ladeira abaixo

Sejas tu para mim só mais uma vez
Mas desta, só peço que não temas o perigo
Diga-me o que queres
Não te quero, no tempo já não te espero
Mas a escrita tua ainda me contempla
És ainda grande para mim
Estas na porta do precipício
Busca-me,
Encontra-te!

Não no desespero, já não me escondo lá
Nem nos teus édens
A estes nunca pertenci
Mas há de encontrar-me no mundo, na vida e no meu próprio corpo
Desta vez,
Sem meias palavras de contentamento
Estou além daquele conforto
Sou do mundo
Estou na vida minha
E na tua
Eu sou a vida
Mas ainda pertenço ao tempo.

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