Suplício,
precipício!
És quem
sempre corre ladeira acima
Encontraste
em mim o vento que te levava adiante naquele projeto
O da tua
alma
Um desejo
oculto que suplicava-me que tirasse de ti a escuridão de onde viéras
E agora?
Quem sou eu,
agora?
Sinto que esse
breu te consome, mas já não sou forte pra te resgatar
Não pude ser
tudo que quis, tu também não pode
De alguma
forma, acabamos nos atraindo pelas limitações
Te quebrei
algumas barreiras
Tu
libertara-me de muitas
Exceto uma,
aquela da qual sempre me fora o precipício
Eis que
assim defino a temerosa culpa de alguns desvios
Vaidade!
Mas não ei
de poupar-te que saibas da culpa tua nesse rebuliço de ideias
Não
conseguiste conter o teu egoísmo e esta foi a tua ruína.
Perdoa-me se
leste estas palavras como imensurável batalha de culpas
Sou ainda aquela
que tudo pesa e considera
Guarda e
depois de muito reservar, dispõe.
Disponho-te
aquele que sempre te alertei pelo perigo do poder que retém,
Tempo!
À espera de
um tempo utópico
Liberta
agora o que em ti está preso
Solta o
choro de criança
Prende
apenas as palavras, segura e organiza no teu pensamento
Depois
jogá-las-á ladeira abaixo
Sejas tu
para mim só mais uma vez
Mas desta,
só peço que não temas o perigo
Diga-me o
que queres
Não te
quero, no tempo já não te espero
Mas a
escrita tua ainda me contempla
És ainda
grande para mim
Estas na
porta do precipício
Busca-me,
Encontra-te!
Não no
desespero, já não me escondo lá
Nem nos teus
édens
A estes
nunca pertenci
Mas há de
encontrar-me no mundo, na vida e no meu próprio corpo
Desta vez,
Sem meias
palavras de contentamento
Estou além
daquele conforto
Sou do mundo
Estou na
vida minha
E na tua
Eu sou a
vida
Mas ainda
pertenço ao tempo.
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