domingo, 31 de julho de 2016

Metafísica da certeza



Sabe, não sei bem ao certo quando estou sentada
 Sinto o flutuar das pernas com o pensamento de outrora.

 Não sei se a leveza do tecido torna-me frágil,
 Ou se a superfície quente e submersa em energias,
 Fazia inconstante e indeciso o pensar de uma Senhora.
 Que sempre fora como o gelo na água.
 No tempo de sereias diabólicas e homens temperamentais.

Rodam chaves secretas de outrora, que ainda fazem do homem, perdido.
Enquanto isso, lá fora,
O meu encontro já virou cotidiano.

Esbaldando da herança, criando caminhos para outrem
Ainda só, não procuro companhia fiel.
Quero que os encontros sejam casuais
Cruciais, por certo.
Encontrar-nos a nós é sempre a faísca do incêndio

O abandono de desejos superficiais, na lábia quente de todos os mortais
Eis que aqui jaz um morto!

Ainda que ninguém abandone por completo
As podridões do terreno frio.
Os vícios da vaidade e da carência
Eis que aqui jaz agora, um mortal que não se perde
Que se encontra e que te resgata da escuridão.

Porque daquelas sereias já alimentou luxúrias
Em tempos já idos
E em memórias bem postas.

Eis que em extrema confusão decidida,
Na carta de despedida dessa existência ele assina:
Inacabado!






                                                                                                       A Senhora

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