Os olhos que te olham também espelham aquela que pensa sobre tudo. Sobretudo, nada.
Não há desencontros, diz-me o desconcerto. Não há caminho, diz-me o sopro do instante. De planejamentos viramos pedaços incompatíveis, daí a pressa de experenciar o agora. Nada de impaciência, só de sossego. Daí o descanso de esperar o depois.
Em toda a cruzada que houver sintonia, as asas tomarão o rumo que as pernas insistem em travar. E quanto de poesia é preciso pra encostar no travesseiro e pensar nos acasos. Ah, se encontrares de ti quem não seja pergunta, aponta o canteiro florido e te acomoda pra uma prosa.
Se vinte e poucas andorinhas fazem verão, o dobro disso em impulsos de vôo, faz liberdade.
Quando escolheste estar lá, escolhi não ficar aqui. As sintonias seguiam juntas, dissera-me o reflexo que vi na cara que te viu em noite enluarada de um verão atípico. É preciso que se diga em verdade, não eram atrizes. Tiraras de mim todas as máscaras, sem esforço. Assim, pois, desfolhando a cada instante, pus-me despida. Intrigada que estava com tanta estranheza, olhei o relógio e entornei o primeiro gole. Vinte e quatro, dizia ele, o calendário. Vinte e quatro horas depois dos vinte e quatro, nem vinte e quatro segundos bastariam. Disso ainda não sabia, porém. Clichê destorcido.
Havia tanta fala engasgada, tantos pedaços perdidos. Neste ciclo de renovação e reencontro, tudo houve e foi ouvido. Iemanjá lavou dos pés o que restava de solto. Renasceras em sintonia com o sono velado do dia seguinte. Renasceras com a alma lavada e o coração descompassado, apesar de calmo. Assim anunciou-me Saturno, pai do sol em capricórnio.
Falou quando viu o riso do riso no canto preguiçoso da boca daquele dia. Aberta que estava, maravilhada com a areia sob os pés que presenciavam o primeiro pôr do sol ao nascer do dia.
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