domingo, 22 de março de 2020

Encontro no pôr do sol ao nascer do dia 20

Os olhos que te olham também espelham aquela que pensa sobre tudo. Sobretudo, nada.
Não há desencontros, diz-me o desconcerto. Não há caminho, diz-me o sopro do instante. De planejamentos viramos pedaços incompatíveis, daí a pressa de experenciar o agora. Nada de impaciência, só de sossego. Daí o descanso de esperar o depois.
Em toda a cruzada que houver sintonia, as asas tomarão o rumo que as pernas insistem em travar. E quanto de poesia é preciso pra encostar no travesseiro e pensar nos acasos. Ah, se encontrares de ti quem não seja pergunta, aponta o canteiro florido e te acomoda pra uma prosa.
Se vinte e poucas andorinhas fazem verão, o dobro disso em impulsos de vôo, faz liberdade.
Quando escolheste estar lá, escolhi não ficar aqui. As sintonias seguiam juntas, dissera-me o reflexo que vi na cara que te viu em noite enluarada de um verão atípico. É preciso que se diga em verdade, não eram atrizes. Tiraras de mim todas as máscaras, sem esforço. Assim, pois, desfolhando a cada instante, pus-me despida. Intrigada que estava com tanta estranheza, olhei o relógio e entornei o primeiro gole. Vinte e quatro, dizia ele, o calendário. Vinte e quatro horas depois dos vinte e quatro, nem vinte e quatro segundos bastariam. Disso ainda não sabia, porém. Clichê destorcido.
 Havia tanta fala engasgada, tantos pedaços perdidos. Neste ciclo de renovação e reencontro, tudo houve e foi ouvido. Iemanjá lavou dos pés o que restava de solto. Renasceras em sintonia com o sono velado do dia seguinte. Renasceras com a alma lavada e o coração descompassado, apesar de calmo. Assim anunciou-me Saturno, pai do sol em capricórnio.
Falou quando viu o riso do riso no canto preguiçoso da boca daquele dia. Aberta que estava, maravilhada com a areia sob os pés que presenciavam o primeiro pôr do sol ao nascer do dia.

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