segunda-feira, 2 de março de 2020

O velho e o mar de Copacabana



Jogado à toda sorte de sonhos infindos, o velho e o mar de Copacabana cruzavam olhares ausentes um sobre o outro. Era um encontro de água e terra, do fluido e do sólido. Contrariando aos pensamentos de mesmice, o reencontro foi de alegria. Mas eles, confusos que estavam com tanta intensidade no instante do depois, perderam-se um do outro mais uma vez, por ora, a pedido da reflexão.
Sempre que surgem contos sobre as janelas da alma, um novo caminho é interrompido. Apesar disso, o recomeço certo independe da vontade humana de emaranhar destinos. O que vale são os suspiros que promoveram o reencontro de dois avessos filhos do universo, no mesmo sopro infinito. 
Foi assim, que o verão atípico tornou-se o mais perfeito Eden para abrigar as faíscas desse reencontro. Fez chover por inacreditáveis dias seguidos, a fim de lavar e fazer fluir, depois da catarse, os cantares de alegria. 
No íntimo de cada um, uma esperança latente de que solidifique em barro firme. Mas quando estão juntos, temem. Não temem o destino, temem permitir-se a ele. De grão em grão é que são construídos os infindos. Separados, sabem eles, são silêncios que rugem, que se chamam e que se desafiam.
Passam as horas e seguem os dias. O velho olha sem saber que é olhado. O mar ressaca, sem saber que é ressacado. Mais impulso, diz o silêncio. Ao fundo, cantam as ondas dissonoras, dúbias, equivalentes e unilaterais. Apresentam convictas o anunciar de menos um dia, fazendo tremer até a escuridão. 
Tantos passos na areia, mas só dois pés esperando o mar, mais um 
desencontro. A noite tem cara de sopro. Mas carrega em si, apesar do descompasso, faíscas que ainda esperam soltas para iluminar uma nova alvorada no fim do dia.

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