Se perguntares onde anda a cigana, te digo que vai protegida de ti e do teu carnaval. Se procurares onde anda a cigana, amigo, aves malandras não são de Pombal. Vestida de rugi, cospe marimbondo quando cai o Sol. Sabe do risco, adianta o bochincho e corre na direção do banhadal. Pula arapuca de saia pra te alcançar, porque sabe de ti que és emocional. Quanto achas que és de perigo, se nem sabes desviar da espiral. Ora, bombeia só!
Que não seja a tua imagem um espelho, a menos que queiras queimar numa pira comigo e o meu batom vermelho. És de incêndios, não de fogueiras. Bem o sei.
Dobro a aposta se não perderes teu tordilho quando me desejas mal.
Risquei o fósforo e só saiu faísca, guardei o cachimbo e fui bailar. Não andas comigo, porque sou teu perigo, dizes. Malandro bonito, sou eu contigo quem vai se cuidar. Trovador aguerrido, nem és de grunhido, que queres inventar ?
A chuva não molha o terreiro quando a figueira é fechada, saibas.
És de meia hora e outros tempos, tolos temperamentais e bruxos desatentos. Ciganas que pintam celeiros, tropas de nefelins e asiática turca que é meretriz. Nada do que não saibas, nada do que não queiras e que não tenhas vivido. Queres nada, e recebes de tudo. Quero muito, e sou moribundo. Distópicas ironias, somos. Mas do pouco nasce a flor de mandacaru, nasce do incêndio e do terreno que nada tem de ungido. Nasceram com elas, outra vez, as luzes mistas e o fim de tudo o que se havia perdido.
A cura é reflexo de chuva e sol na água rasa da taipe de açude. Sossega e dorme tranquilo, porque vais entrar sem chuvisco, nem guarda-chuvas de Pompadour. Na vida de agora, não vais mais na direção da correnteza, ainda que queiras, não enveredas mais na contramão.
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