sexta-feira, 1 de maio de 2020

Espelho

"Meu espelho é labirinto" disseste alertando-me.
De seus reflexos, porém, vejo temperança, força, e ensolarada coragem de quem vive os cliclos. Não carrega o clichê da fênix, mas de hora em hora se reinventa, se reconstrói, se escalda, se alivia, e me liberta. Um sobrevivente sempre disposto a estar morto, é genioso e cheira a incenso. Intenso, um sol audacioso. Não se limita, e jamais imita. Irrita, quase sempre por falta de querer o contrário. Está sempre aceso e nada gentil, mas é feito de água, de melodias, de pólvora e de isqueiro. Nunca é o mesmo, também não é muitos. Com sutileza e cuidado, sempre é os seus e é o único. O que faz dele novo a cada instante, 604 pessoas em si, quiçá o dobro disso. Nunca foi de algodão, tampouco de penugem. Ele é o tecelão de suas virtudes, bem como das curvas em que não se prende a crenças nem a cruzes.
Autêntico, é um sol de gente. Quântico, desconhece o caminho que fez a serpente. Mas do Éden herdara a verdade. Daí que não se reprime, não agoniza, nem se exime. Impera totalidade, mas não esnoba quando encontra sintonia, ainda que pareça tarde.
É feito de afagos, mas alimenta incêndios, não fogueiras. Se reflete no céu de outono, o mais bonito do ano. Dispensa represas e não se dissolve no tempo. Antes, porém, solidifica e liberta o que já não serve.
Não se perde, nem faz perder. Transgride, emerge, resisti. Suspira, porque é vivo. Respira, porque é livro. Transcrito de várias formas, é casa e casulo, sempre borboleta, é tudo.
Para a escrita é sem fim. É vertente rica, porque segue no curso sem asas de mariposa ou de querubim. Não é caído, é cadente. Acende, porque é ascendente. 
Tal como as sensações que chegaram com o sol, quase sempre incertas, pulsantes e feitas de sorte.
Todo o imaterial que alegra o coração que expande, por si já explica que é gigante. Compõe-se de angulosas formas tridimensionais que irradiam ondas de uma teimosia e nobreza que é secular.
Com o novo, de novo, se encontram os avessos Rio's. Transbordam, esquecem os diferentes mundos que habitam e fundem-se em superfícies futuras de astros reerguidos, cintilantes e calmos.

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