quarta-feira, 6 de maio de 2020

Sobre a Intensidade

Os raios que insistem na fluvialidade ainda são intensos. Em meio às nuvens desenhadas como propositais pra serem sentinelas, os fios de luz que lhas transpassam são ainda enérgicos e direcionados. Nenhum acaso é mera magia ou encanto, todo o pontilhado tem uma linha que liga cada ponto ao outro.
Nesse caso, se não perceberes que venceste o bloqueio, te levo carregado e te ensino a desvelar o oculto. Não eu de energia mortal, mas eu de energia vital.
Eu que carrega os dons de ser abacaxi ou granada, quente ou fria, todas as fichas ou nada. Essa Eu de calibre alto, de fala estridente, essa Eu alcalina e volátil.
Nunca trouxe amor de volta em três dias. Fui atenta pra trazer o amor de volta em três voltas, isso sim. Vou e volto, busco de novo e mais uma vez. Não é lábia profética, é sincronia antiga de coragem pouca e vontade muita. Trago o amor de volta do poço do submundo na base do anestésico, pra lhe poupar a dor de ver o caminho percorrido por besteira. Não se poupa amor, se poupa o amor. Na poupança de quem economiza desde que viu reflexos de possibilidades, nunca falta saldo. Cresce o débito na medida em que o coração amolesce. Mas sobe o crédito se o fizeres por vaidade ou por gosto. Saibas, pois, que a economia do amor precisa ser feita na abundância do cuidado metafísico. Cuidado que apara arestas, que deixa fluir do tempo os raios necessários pra encontrar a alvorada outra vez aberta.

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