Pelos olhos que veem a janela que vê a nova vida passar, vê-se também as águas que fluem a Flor de maricá, que também é de abricó, que também é de verão. Vais ver a beleza da Flor no teu reflexo, toda vez que olhares teu espelho de novo.
A Flor não é do tempo, nem é temporal. É filha do Sol e tem a força da água salgada. É Flor que vem com o vento Sul, Flor de seringueira que tem cheiro de cedro e de erva-doce com hortelã. A Flor dos olhos de mar, ressacados se preciso for, profundos como conhecer quiseste.
A tua Flor também é minha, usa vestido rosa e cai no sono quando vens cantar. Flor que é feita de lágrima de sereia, é a tua Flor que também é minha. Despetalou por centenas de outonos distantes até que pudéssemos nos encontrar. A minha Flor que também é tua, filha de Gaia e de Iemanjá. Erê de canções serenas, vem pra trazer o que de ti não vais querer tirar. Flor é semente. Cresce mansa e tem no coração trezentos e oitenta e seis porteiras, cada uma de um mundo, de cada mundo uma vida faceira.
De cada vida um pulo, de cada pulo uma onda forte e essência de ceiva de corticeira. A Flor dos olhos teus, traz rastros ancestrais que quiseste conhecer comigo. A Flor não é de fuga, é de casa.
É Flor de jardim, não de canteiro. Pequena velha Flor é o raio de claridade que vem da união de cima que é baixo pra poder emergir uma vez mais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário