Sempre há um equilíbrio entre os desequilíbrios. Partir horizontes com intenção de retorno é confessar que o teu coração não é surdo, ainda que estejas no silêncio dos idos que ainda não foram. Sabes respirar sem oxigênio, tens as escamas tão duras, que nem de longe te atinge a flecha lançada. Quando és peixe, não cai no anzol. E se em trezentos e oitenta e seis anzóis pudesses ser fisgado, o dobro disso fisgarias sem esforço.
Se não és de sintonia cruzada, desmente o poeta que canciona contigo quando andas acompanhado. Sempre queres partir, nunca se faz partido. O teu dom de andar inteiro, encanta onde passas e faz de ti o teu melhor espelho. Confia sempre que a tua intuição é pessoana, não imortal. Isso fará de ti poesia, fará de ti desassossego e te trará consolação.
Não tens que mudar teus rumos, mas teus arreios. Buscas força no sono que chega navio, nuviado, macio e discreto, quando a força vem mesmo é com o teu broto novo e simplificado. Reúne com os teus que te habitam. Aos que já tomaram a normalidade para si, fala de esperança e de música lenta, fala da solidão com flerte, e da liberdade com o teu olhar enamorado. Nos malabares que conheces, amores infindos te esperam serenos e te guardam amparado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário