A mão que te alcança é guiada por Gaia, amparada em Oxum e ensolarada pela natureza do calor que é humano. Não há engano, chegaste. De um janeiro a outro, te alcança a mão que te segura o espelho que reflete uma janela, que reflete outra. Diasimprecisos e que não se repetem.
Mão sem luva, não é aquela que puxa o gatilho da tua mudança, mas da adaptação. Não somos feitos só de solidão, mas de claridade. Necessário oposto do espelho partido. Ainda que não creias, ou que não desejes crer. A tua essência é a do amor genuíno, fértil e gentil. Contrário à rigidez e a submissão. De cantores de samba, de bossa e de tango, aqueles infindos e que aprendem a não andar na contramão. A essência de que aqui se fala é antes projetada, repara. Uma essência construída em tijolos de areia e capim-limão. Não te enganes, não és ruína nem movediço, és de água salgada e rosas brancas de Iemanjá.
Ainda que todas as flechas te sejam lançadas, ainda assim não cairás. Tens nas tuas, as mãos que te alcançam e não te soltam. Toda a tua determinação em soltar-te, se a tiver, SOLtar-se-á de si antes que o faça.Não porque estejas preso, mas porque são mãos que te levam solto.
Mãos que apontam o teu próprio caminho, que te sustentam e que te acalentam nas horas que cansas. Saibas que as mãos que te seguram, porém, antes foram seguradas. Antes, seguraste-as sem pretensão, sem vaidade, sem desespero e sem receio. Fizeste o que nem a próprio reflexo foi capaz, porque ele antes não havia, pudera. Reflete quem te estende a mão, abençoa os males e saibas seguir. Segue de coração liberto e alma lavada, cuida pra não sangrares em quem nunca te cortou. Sempre vais amparado, sempre vais carregado. Agora levanta, abre os teus olhos, acende um cigarro e sorri.
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