quarta-feira, 14 de julho de 2021

12 de Julho, do 2020

 És de poesia e de abismo, eis que te fala o disco riscado. Não és de

enganos, nunca foste. És das narrativas que são tuas, que são autênticas

e que são sempre donas do riso que é meu. Vais de encontros, porque és

vivo. O que há de verdadeiro em ti, nasce da tua alma andarilha e da tua

essência gaiata. Não vais por comando, és de improváveis.

Quantos sons ficaram soltos antes de ti, disso não sabes, nem queres

saber, nem o precisa. Importa o que vem adiante, importa quem tens

agora, quem dos teus caminha contigo e as contrações que transformam

as dores em risos.

Harmoniza as borboletas do estômago, faz a tua sinfonia porque são elas

quem seguem contigo. Não vais ser clichê, confio. Teus aliados são

cancioneiros, astutos, guerreiros.

Sestroso és tu, mais ninguém. De mimo e de cheiro, és um portal pro

cosmos. Sei das as águas profundas, ora turvas, ora cristalinas, que tens

nas tuas mãos. Sei dos descaminhos, das encruzilhadas, das noites

ressacadas. Sei quem estás, de onde vens e pra onde não queres ir. Sei

porque sou de salto livre, não porque seja vidente. Sossego nas vibrações

de descanso que vem do teu abraço, anseio pelos tempos já idos e pelos

cheiros permanentes. Corro presa e me agarro aos cabelos das árvores

que falam do lugar de felicidade que existe aqui. São recados que falam

sobre as tuas luzes, as tuas armadilhas e a tua transparência. Creio em

tudo que é duvidoso, duvido de tudo que é certo. Nada dizes porque de ti

já escutei de tudo, em alto e bom silêncio cancioneiro que chega na

minha janela todo o segundo dia de cada mês. Sei que és de infinitos, de

óbvios, de atípicos e de faísca de incêndio. Derreto, porque sou gelo

firme. Se redobro a aspereza, desmancho sempre em maravilha toda vez

que vejo o abrigo que mora na casca de bergamota temporona que tanto

gostas de exibir.

Sempre que víris no espelho os olhos de jabuticaba ou aqueles que são da

cor de chuchu, lembra-te que a beleza do mundo nasceu de ti e vive

contigo em todas as casas para onde vão os teus pés.

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