sábado, 28 de setembro de 2019

Quando conheci Baco


A beleza do homem vermelho está refletida na taça de vinho.
A culpa é de Baco que fez dele sua imagem e
semelhança.

Nunca pensei em conhecer Baco pessoalmente
Saber de si já me bastava, não fosse o descaminho místico das constantes coincidências de semelhança entre nós.

Baco também é da terra e é desenraizado.
Baco olha-me com a sutileza de um arqueiro que tem seu alvo marcado.
Baco não compreende as superfícies rasas do amor,
Ele sente e impulsiona de si o que quer.

O universo segue em sintonia quando Baco vem à terra.
Encontrou-se com a Gaia desconstruida no Tempo e disse que lhe é solidário
Baco tem em si dimensões que não são contadas
Ele estrutura as palavras nas proporções de suas intensidades porque não quer dividir com o vento o que preserva para os deslocados.

Baco não sente que ri.
Ele guarda a sintonia de suas alegrias nas orelhas dos livros que escreve,
Cada ser uno tem a dimensão maior do que ela realmente é,
Baco não é diferente.

A palavra não é a flecha, ela é a matéria de veneno e de poder sobre quem é lançada.
Baco não sabe o que quer,
Mas Baco sabe o que não quer com afiada certeza.

Não sei quantas vezes mais o encontrarei materializado, ou se de fato alguma vez o encontrei
Permanece o jogo da incerteza entre nós.

No mais, vergonha pouca é bobagem
Baco fala-me ao ouvido toda noite no sono.

A energia de Baco é quente,
Mas o vinho não cai bem nos climas de sol escaldante,
Eis o dilema.

Da próxima vez, vou consultar a sereia de Esther, a judia.
A resposta certa é sempre o avesso do que parece, mas disso só  sabem os que amam o improvável.

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