A essência do cigarro é o fumante.
Meio cigarro entre os dedos e o quanto de exuberante há nisso sem a palavra
Elos inocentes de um olhar maduro e enferrujado os percebe em uníssono,
Perpassam o moço, o cigarro, o pálido, o sólido
O tranquilo e o real.
Naquele semblante uma espera
Desconfio ser apenas a angústia da última tragada
A mim, parece-me uma espera genuína,
Antes, porém, enrrigecida de solidão.
O cigarro acabou,
a aura de uma legítima persona borginiana esvaiu-se com a última fumaça.
Volta o moço ao seu casulo.
Franzino, pálido e delicadamente cacheado
Ele me olha.
Por segundos afinco na segunda-feira de um sol poluído
Duas vezes ele me olha.
Fez que vai levantar e acende outro cigarro
Segue sentado e agora parece nervoso.
Ele sabe que foi notado por alguém além de si.
Bate as cinzas com toda a sutileza de outono que lhe compõe o ser,
Quase impercetível
Oculta-se na fumaça e discretamente ri
São novamente um só, o ser a sua poesia
Invocando de longe a literatura.
A serenidade no ato de tragar é o belo.
Feito de desejos, materializado em realização.
A poética do exagero não coube tão bem antes
Meu olhar de pequenez queria dizer que fiz deles escrita, mas não cabia mais na página.
Olha-me pela quarta vez, apaga o cigarro e sai.
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